kuroi
April 25, 2025 at 12:03:19 AM
Primeiramente: eu amo o layout desse site. O minimalismo é mto agradável e eu adorei o modo escuro.
Segundamente, acabei de ler o seu último post (Lidando com as imperfeições) e sério nem sei por onde começar. Sua escrita é muito boa e sinto que prende o leitor até o final. Eu amei a parte onde você descreve o "deixar o texto de molho", e também me identifico muito com o sentimento de achar vergonha alheia as passagens do meu diário depois de um tempo. Por isso nem costumo reler minhas páginas kk mas gosto de acreditar que isso significa que me torno uma pessoa diferente (e melhor, espero kkkk) a cada dia.
Por fim, pq esse texto já tá longo demais, eu gostei muito de quando vc fala sobre a geração de textos via inteligência artificial. Eu até gosto da IA como ferramenta pra cenários específicos, mas quando ela começa a substituir totalmente o trabalho real é muito chato. Imagino numa mesa de RPG onde a criatividade de cada um é o que conta, passar tudo isso pra uma IA gerar tira totalmente o sentido da coisa, terceiriza algo que era pra ser único contendo a essência e a criatividade de cada um. Essa era da humanidade tá muito bizarra. Eu comecei a perceber que imperfeições trazem muito mais charme e alma nos trabalhos criativos quando assisti uma moça pintando, em alguns momentos ela diz q errou aqui e ali mas cada pincelada ali teve uma intenção, e mesmo o que ela diz que ficou errado, pra mim trouxe mais autenticidade pra obra.
Desculpe o textão hihi mas eu curti demais a sua postagem
Replied on: April 26, 2025 at 4:41:18 PM
Kuroi, querida, muito obrigado pelo comentário! Fico feliz que tenha gostado do layout do dudalog. Acho o de seu site brilhante. Saber que você também gostou do texto e da escrita é tão gratificante quanto.
Sobre IA, eu também não sou totalmente contra. Até algo que venho estudando. Mas é aquilo, sonhávamos com o dia que às máquinas seria delegado o trabalho maçante e nós viveriamos do trabalho criativo. Quiseram os engravatados que fosse o contrário. Mas, como nós dois concordamos, o charme e a alma da obra estão nos defeitos e nas imperfeições humanas.
Você ter trazido o exemplo da moça pintando me lembrou de um artista em específico (logo eu que sei tanto de história da arte quanto sei sobre as motos [ou seja, muito pouco]). Os trabalhos que definem a carreira de Mark Rothko são justamente aquelas telas que ele pinta, à mão livre, tudo de uma cor só ou desenha alguns retângulos preenchidos. À primeira vista, parece algo trivial. Afinal, é algo que uma criança do primário seria capaz de fazer uma releitura numa folha A4 com tinta têmpera. Quem dirá uma máquina. Mas é documentado que ele buscava experimentar as relações entre as cores e que cada obra ele produziu enquanto sob um sentimento específico, sobretudo aquelas em sua última e mais depressiva fase. Como no exemplo que você trouxe, onde cada pincelada teve uma intenção, Rothko, como um artista humano, acaba deixando as mesmas impressões (ainda que, no caso dele, tentasse escondê-las).
A máquina, por outro lado, não cria da mesma forma. Tudo que ela produz é sem uma intenção própria que não a de corresponder com um prompt, fornecido por um usuário, baseada nas tantas obras humanas, obras de verdade, sobre as quais ela foi treinada. Tirando o fato de ser um trabalho que pode ser considerado agradável de se ver (o que depende, pois consegue ser tosco às vezes) e os padrões que compartilham, o que mais os próximos críticos da arte analisarão na arte gerada pela máquina? Qualquer impressão que ela deixa pode ser atribuida por ter copiado até os vícios humanos, ou apenas a uma alucinação típica desses modelos.
São tempos bizarros os que vivemos mesmo. Nos resta viver (tudo) o que dá pra viver e criticar as contradições da atualidade. No mais, não hesite em escrever. É gratificante provocar reflexões e, através de longos comentários, saber o que o outro tem a pensar, dizer e complementar. Valeu!